sábado, 20 de janeiro de 2024

E a jornada continua



                 Ontem aconteceu a nossa segunda reunião on-line para tratarmos de assuntos relacionados à produção, técnica, elenco, recursos, cenografia, figurinos e outros aparatos que precisaremos para o excelente andamento desse projeto que está sendo tratado com muito carinho por todos os envolvidos. Próximo passo agora é contactar o elenco e marcarmos uma reunião presencial para uma rodada de leituras, ensaios, preparação de elenco e finalmente  a realização do nosso projeto ainda nesse primeiro semestre. Tudo está indo de vento em popa e o negócio é não deixar a peteca cair.

                Para quem não sabe, o projeto "AVENTURAS NO SÍTIO DO PICAPAU", é um projeto voltado para as escolas com o intuito de incentivar a leitura às crianças de hoje em dia e tirá-las dos celulares e eletrônicos, através da obra de Monteiro Lobato. Além de ser um projeto voltado às escolas, é também uma grande homenagem ao Sítio do Picapau Amarelo Clássico, produzido pela TV Globo entre 1977 - 1986. O projeto contará com 12 histórias de 10 capítulos, a cada temporada (ainda não sabemos quantas temporadas terá o projeto). À medida em que formos avançando na pré-produção, produção e pós-produção, vamos atualizando vocês dos assuntos.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Duas versões de uma mesma história!


                    Como falado em posts anteriores, referente às obras de Monteiro Lobato que foram muitas, teve livros que Lobato escreveu em duas versões como é o caso do livro que iremos analisar hoje e apontar as diferenças de uma versão para a outra que é "A Menina do Narizinho Arrebitado" e "Reinações de Narizinho".

                    Tudo teve inicio em 1920, quando Monteiro Lobato, publicou seu primeiro conto infantil "A História do Peixinho Que Morreu Afogado" e, posteriormente Lobato ampliou o conto e nele introduziu cenas de sua infância. Com isso, exatamente em 1921, ele publicou o livro "A Menina do Narizinho Arrebitado", tendo como personagens principais, a menina Lúcia, apelidada de Narizinho por conta de seu narizinho arrebitado e sua boneca de pano, Emília, mas não é só isso. Lobato criou uma avó para a menina, dona Benta e também a boa cozinheira Tia Nastácia (no primeiro livro ele a chama de Tia Anastácia) e elas moram em um sítio, o Sítio do Picapau Amarelo, um lugar distante do barulho e da agitação da cidade grande, como descrito também em "Reinações de Narizinho", porém, em "A Menina do Narizinho Arrebitado", Lobato descreve suas linhas iniciais da seguinte maneira:

"Naquella casinha branca, - lá muito longe, móra uma triste velha, de mais de setenta annos. Coitada! Bem no fim da vida que está, e trêmula, e catacega, sem um só dente na bocca - jururú... Todo mundo tem dó d'ella: - Que tristeza viver sozinha no meio do matto..."

        Como podem perceber, Lobato não cita o "Sítio do Picapau Amarelo", Lobato só fala da casinha branca, lá muito longe e, nem cita o nome Dona Benta, ele a chama apenas como velha, mostrando assim a primeira diferença da primeira versão, com "Reinações de Narizinho" relançado dez anos após está versão, em 1931, onde Lobato descreve nas linhas iniciais o seguinte:

"Numa casinha branca, lá no Sítio do Picapau Amarelo, mora uma velha de mais de sessenta anos. Chama-se Dona Benta. Quem passa pela estrada e a vê na varanda, de cestinha de costura ao colo e óculos de ouro na ponta do nariz, segue seu caminho pensando: - Que tristeza viver assim tão sozinha neste deserto..."

        Vemos que em "Reinações de Narizinho", Lobato já cita o nome do lugar onde Narizinho vive com sua avó que também tem um nome Dona Benta e a idade e as características da boa senhora, Lobato modificou. Enquanto em "A Menina do Narizinho Arrebitado" ela tem mais de setenta anos e está bem no fim da vida, tremula, catacega, sem um só dente na boca, bem jururu, em "Reinações de Narizinho", Lobato só cita que Dona Benta tem mais de sessenta anos. Outra modificação que também teve nas primeiras linhas de ambos os livros, são as seguintes:

        Em "A Menina do Narizinho Arrebitado" ao falar na protagonista da história, ele cita o seguinte:

"A velha vive feliz e bem contente da vida, graças a uma netinha órfã de pae e mãe, que lá mora des'que nasceu. Menina morena, de olhos pretos como duas jaboticabas - e reinadeira até alli!... Chama-se Lúcia, mas ninguém a trata assim. Tem apellido. Yayá? Nenê? Maricota? Nada disso. Seu apellido é "Narizinho Rebitado",  -  não é preciso dizer porque."

        Já em "Reinações de Narizinho" a personagem título é descrita da seguinte maneira: 

"Dona Benta é a mais feliz das vovós, porque vive em companhia da mais encantadora das netas - Lúcia, a menina do narizinho arrebitado, ou Narizinho como todos dizem. Narizinho tem sete anos, é morena como jambo, gosta muito de pipoca e já sabe fazer uns bolinhos de polvilho bem gostosos."

        Além dessas diferenças, existem outras que se fossemos pontuar uma por uma, teríamos que dividir esse post em dois, mas comparando a descrição de Narizinho em ambos os livros, podemos perceber através dos trechos que as diferenças são bem significativas, dentre elas, Lobato não cita a idade de Narizinho em "A Menina do Narizinho Arrebitado", podendo ela ser uma menininha de sete ou menina beirando a adolescência, visto que em "A Menina do Narizinho Arrebitado", a menina se apaixona perdidamente pelo Príncipe Escamado, coisa que em "Reinações de Narizinho" a menina não demonstra essa paixão pelo peixinho príncipe-rei do Reino das Águas Claras.

        Na primeira versão por exemplo, Lobato concentrou toda a história na ida de Narizinho ao Reino das Águas Claras e o Pedrinho, primo de Narizinho, não chegava ao Sítio para passar as férias, na primeira versão o menino sequer é citado. Emília ganha vida ao ir ao Reino das Águas Claras, mas não engole a pílula falante como em "Reinações de Narizinho" e o Pequeno Polegar não aparece fantasiado de bobo da corte para fugir dos livros de Dona Carochinha que também não é citada nessa primeira versão. 

        Enquanto em "A Menina do Narizinho Arrebitado" a história se concentra só na ida de Narizinho ao Reino das Águas Claras e a narrativa era bem mais formal, em "Reinações de Narizinho", Lobato deixou a história com um tom mais lúdico e fantástico, além de ter toda a passagem de Narizinho ao Reino das Águas Claras, Lobato inseriu outras histórias ou fábulas reunidas num só livro, as quais nós já conhecemos e que gerou as famosas adaptações para a TV e para o teatro.  

 
 

 




terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Sobre as Nossas Primeiras Histórias...

 


            Como prometido no post anterior, aqui estamos para falar sobre as nossas seis primeiras histórias... 

            Antes disso, porém, é importante ressaltar que nosso projeto é simples, despretensioso - ainda mais que não contamos com muitos recursos financeiros para uma produção cara e sofisticada - mas feito com muito amor e dedicação. Com conteúdo infantil e infanto-juvenil voltado para a educação e o entretenimento, nosso foco está na qualidade e originalidade dos roteiros, da direção, das atuações, dos figurinos e da trilha sonora. Toda equipe está nessa porque ama o que faz e está dando o melhor de si.

            Dito isso, vamos às historinhas! Seguindo os moldes das duas versões da Rede Globo, serão histórias divididas em dez capítulos cada uma delas, e serão disponibilizadas, capítulo por capítulo, no youtube.


PRIMEIRA HISTÓRIA:




A MENINA DO NARIZINHO ARREBITADO

ESCRITOR E ROTEIRISTA: MIGUEL RODRIGUES

História inspirada nos livros A Menina do Narizinho Arrebitado e Reinações de Narizinho.

            "Naquela casinha branca, lá longe, mora uma velha de mais de sessenta anos. Todo mundo tem dó dela: 'Que tristeza viver sozinha no meio do mato".
            Pois estão enganados. A velha vive feliz e bem contente da vida, graças à netinha órfã de pai e mãe, que lá mora desde que nasceu. Menina morena, de olhos pretos como duas jabuticabas - e reinadeira até ali!... Chama-se Lúcia, mas ninguém a trata assim. Tem apelido. Yayá? Nenê? Maricota? Nada disso. Seu apelido é Narizinho Arrebitado". (...)"



SEGUNDA HISTÓRIA:




SEM MEDO DE ASSOMBRAÇÃO

ESCRITORA E ROTEIRISTA: ELISA BARRETO

História inspirada no livro O Saci.

            "Tão impressionado ficou Pedrinho com esta conversa, que dali por diante, só pensava em saci, e até começou a enxergar sacis por toda parte. (...) 
            Depois de ouvir a história de tio Barnabé com a maior atenção, Pedrinho voltou para casa decidido a pegar um saci, custasse o que custasse. Contou seu projeto à Narizinho e longamente discutiu com ela sobre o que faria no caso de escravizar um daqueles terríveis capetinhas. (...)"


TERCEIRA HISTÓRIA:


EMÍLIA, A CONDESSA QUE VIROU MARQUESA

ESCRITOR E ROTEIRISTA: MIGUEL RODRIGUES

História inspirada no livro O Marquês de Rabicó.

            "Eram sete leitõezinhos. Bem sei que sete é conta de mentiroso, mas eram mesmo sete, todos ruivos, com manchas brancas pelo corpo. Quando a mamãe deles saía a passeio, os sete leitõezinhos acompanhavam-na em fila. (...)
            (...) Foi esse o triste destino daquela irmandade de sete leitões. Da irmandade inteira menos um, o Rabicó, assim chamado porque só tinha um toquinho de cauda. Rabicó salvou-se porque Narizinho costumava brincar com ele desde bem pequenino e os dois ficaram amigos".



QUARTA HISTÓRIA:



A DANÇA DAS ABELHAS

ESCRITORA E ROTEIRISTA: ELISA BARRETO

História inspirada no livro O Sítio do Picapau Amarelo.

            "Enquanto por ordem do marquês selavam o cavalo pangaré, a menina punha seu vestido vermelho de bolso. Precisava de bolso para levar os bolinhos de tia Nastácia sobrados da véspera e também para trazer coisas do reino das Abelhas.
            Porque era para o Reino das Abelhas que eles iam a convite da rainha."



QUINTA HISTÓRIA:



INVASÃO NO REINO DAS ÁGUAS CLARAS

ESCRITOR E ROTEIRISTA: MIGUEL RODRIGUES

História inspirada nos livros O Casamento de Narizinho e A Menina do Narizinho Arrebitado

            "Depois da viagem de Narizinho ao Reino das Águas Claras, o príncipe Escamado caiu em profunda tristeza. Emagreceu. Suas escamas foram ficando fininhas como papel de seda. (...)
            (...)Discutiram, discutiram, e depois de muito discutir resolveram endereçar a Narizinho um pedido de casamento."




SEXTA HISTÓRIA:




O IRMÃO DO PINÓQUIO

ESCRITORA E ROTEIRISTA: ELISA BARRETO

História inspirada no livro O Irmão do Pinóquio.

            "A grande ideia de Emília não deixou mais a cabeça de Pedrinho. Só pensava em ir à Itália, ver se no quintal do homem que fez o Pinóquio não existiria ainda um resto do tal pau vivente. Mas ir como? A pé não podia ser , porque era muito longe e teria de atravessar o oceano."


Bom, por enquanto é isso. Mas tem muito mais pela frente! Aguardem!!!

sábado, 13 de janeiro de 2024

Como tudo começou...

   


           MEADOS DOS ANOS 90. No nordeste e no sudeste do Brasil, dois jovens fãs do Sítio do Picapau Amarelo e de Monteiro Lobato - que desde criancinhas assistiram ao programa nas TVs Globo e Educativa nos anos 80 - separados por uma longa distância, sonhavam o mesmo sonho: adaptar a obra do grande escritor para alguma linguagem em que as histórias pudessem ser encenadas, e se esforçavam como podiam para realizar tal sonho. O Sítio, naquela época, estava novamente no ar pela TVE/Cultura (com reprises das temporadas de 1977 e 1978) e também pela Rede Globo, no programa infantil TV Colosso, onde duas histórias de 1981 foram reprisadas.

            Miguel Rodrigues, em Fortaleza-CE planejava encenar em sua escola uma peça do Sítio do Picapau Amarelo, sem, no entanto, conseguir transformar esses planos em realidade. Porém, em 1996, ele apresentou uma peça do Sítio na festa de aniversário de sua irmã mais nova.

            Nessa mesma época, em Juiz de Fora-MG, Elisa Barreto dirigia um grupo amador de teatro e dança com mais de trinta membros, entre meninas e meninos, todos com idades entre 08 e 16 anos. Ela começou a escrever uma peça do Sítio do Picapau Amarelo, a qual mesclava as histórias dos livros "REINAÇÕES DE NARIZINHO", com a primeira ida da menina ao Reino das Águas Claras e "O SACI", com as aventuras de Pedrinho na mata em companhia deste personagem do folclore brasileiro. A peça, embora ainda não finalizada, chegou a ter seu elenco escalado e seus ensaios iniciados. Mas o GRUPO TEATRAL GERAÇÃO 2000 acabou tendo suas atividades encerradas antes que a peça pudesse estrear.

            COMEÇO DOS ANOS 2000. Desistir de seus sonhos não era uma opção para esses dois "sitiantes" (como chamamos os fãs do Sítio do Picapau Amarelo)

            Em 2002, Miguel apresentou em sua escola uma peça, em que ele representava o Visconde de Sabugosa, sua irmã Patrícia, a Narizinho e uma colega de classe, Roberta, a Emília. Mais tarde, para uma outra apresentação, foi incluído um menino, chamado Maximiliano, filho da diretora de uma outra escola, que passou a representar o Pedrinho. Mas infelizmente essas apresentações não tiveram continuidade. Porém, no mesmo ano de 2002, houve uma apresentação de um grupo teatral no qual Miguel ingressou na época, intitulada PIRLIMPIMPIM, e dirigida por ele.

            Naquele início de década, século e milênio, Elisa, que também já havia, na adolescência, encenado no jardim de casa a sua versão do PIRLIMPIMPIM, estava prestes a desistir de ingressar na tão sonhada faculdade de Letras para cursar na UNIVERSO, em Juiz de Fora, a faculdade de Cinema e Teatro, já planejando qual seria sua primeira investida como cineasta: uma sequência de três filmes do Sítio do Picapau Amarelo. Mas infelizmente, sua mãe, Luiza, que iria custear a faculdade, veio a falecer em setembro de 2002. 

            Mas somente em 2006, os destinos desses dois "sitiantes" iriam se cruzar, graças ao Orkut, a primeira rede social a conectar pessoas de todo Brasil e de várias partes do mundo. Na comunidade do Sítio do Picapau Amarelo, muitas amizades foram feitas e até hoje temos um grupo forte de amigos unidos pela mesma paixão lobatiana. Desde essa época, esse grupo de sitiantes começou a conversar via MSN, e numa dessas conversas, Miguel e Elisa falaram sobre seus planos de realizar uma adaptação do Sítio. 

            Com o passar dos anos, Miguel foi ficando cada vez mais decidido e com uma certeza cada vez mais forte de que mais cedo ou mais tarde, realizaria uma versão em audiovisual. Cinema, TV, youtube? Poderia ser qualquer uma delas, a que fosse mais viável. 



             Em 2012, Elisa esteve, com alguns outros "sitiantes", por duas vezes (em abril e em agosto), na casa em que foram realizadas as gravações da primeira versão do Sítio na Rede Globo, em Barra de Guaratiba, no Rio de Janeiro (foto acima). A experiência, tão especial, aumentou ainda mais seu desejo de realizar uma adaptação da obra de Lobato, a princípio, para teatro.

            Enquanto isso, Miguel seguia com seus planos. A partir de 2015, a ideia começou a ir ganhando forma em sua cabeça. Antes, porém, de prosseguir com o projeto do Sítio, ele criou uma companhia de animações de festas à qual deu o nome de "POLICHINELO" (hoje "CIRANDA ANIMAÇÕES"), inspirado na canção de abertura do Sítio composta e cantada por Gilberto Gil. Ali, ele encarnava o Visconde enquanto uma colega de sua equipe encarnava a Emília. Isso nos faz retornar à adaptação do Sítio, que, começou a dar os primeiros passos para sua concretização. O elenco começou a ser pensado, convites começaram a ser feitos. Miguel chamou Elisa para formar com ele a dupla que escreveria os roteiros das histórias. Os dois começaram a conversar e decidir os caminhos e direções a serem tomadas em relação ao projeto. Atores, direção, figurinos, trilha sonora, abertura, logomarca, formato, etc. Tudo foi ganhando vida! Mas havia um problema: a obra de Monteiro Lobato ainda não havia entrado em domínio público e isso poderia gerar despesas e muita dor de cabeça, inviabilizando a concretização do projeto e dos sonhos desses dois sitiantes.



             Finalmente, em 1° de Janeiro de 2019 a obra de Lobato caiu em domínio público e então o projeto foi retomado a todo vapor. Elenco sendo escalado, histórias sendo elaboradas, trilha sonora começando a ser idealizada por Elisa, desenhos de figurinos feitos por Miguel, finalidade do projeto definida como sendo de cunho educacional... Embalado pelo projeto, Miguel fez uma ação, ao lado de Roberta, em um ateliê em 2018 (foto acima) e apresentou, em 2019, uma peça teatral numa ONG em Fortaleza, intitulada SÍTIO DO PICAPAU AMARELO - O MUSICAL. 

            Ficou resolvido que esta nova versão do Sítio seria para Youtube e começaria a ser gravada em 2020. Mas aí, veio a pandemia, adiando mais uma vez os nossos sonhos. O projeto foi retomado em final de 2021 e agora, finalmente, conseguimos dar os primeiros passos para a produção propriamente dita, com a equipe técnica reunida e os papeis de cada um bem definidos. 

            Ufaaa! Pode até demorar, mas quando não desistimos de nossos sonhos, eles acabam, fatalmente por se realizar! E neste ano, de 2024, terão início dentro de poucos meses, as gravações das primeiras histórias de "AVENTURAS NO SÍTIO DO PICAPAU"!

           Aguardem novidades sobre as primeiras histórias a serem gravadas e disponibilizadas ao público!

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

A Literatura de Monteiro Lobato e suas Adaptações.


              Como todos já sabem, Monteiro Lobato foi mestre em contar fábulas brasileiras para as crianças através de suas histórias maravilhosas e seus personagens fantásticos, moradores do Sítio do Picapau Amarelo. O primeiro livro foi lançado em 1920 tendo como título "A Menina do Narizinho Arrebitado", o livro que abre toda a saga e conta as aventuras da menina Lúcia Encerrabodes de Oliveira, apelidada como Narizinho, por conta de seu nariz arrebitado, no Reino das Águas Claras após conhecer Escamado, o príncipe-rei deste maravilhoso reino situado no fundo do mar. 


                A primeira versão desta história tem algumas situações bem diferentes das que conhecemos no livro "Reinações de Narizinho", nessa primeira versão, a boneca Emília ganha vida, mas não engole a pílula falante. Além dessa, existem muitas outras diferenças de um livro para o outro, mas esse será assunto para um outro post. Voltando a falar dos livros infantis de Lobato, um ano após o lançamento e sucesso de "A Menina do Narizinho Arrebitado", Lobato trouxe para as crianças a primeira versão da aventura "O Saci" que à época era escrito como "O Sacy", essa também tem algumas diferenças da história que conhecemos tanto nos livros, quanto nas adaptações para a TV, mas isso também é assunto para um próximo post.


                    A partir de então Lobato fez uma nova versão de "A Menina do Narizinho Arrebitado", intitulado como "Reinações de Narizinho" que seria um livro onde ele narra várias aventuras vividas por Narizinho, seu primo Pedrinho, a sua boneca Emília, o sábio Visconde de Sabugosa, a boa Dona Benta, a maravilhosa Tia Nastácia, o porquinho Rabicó ou Marquês de Rabicó, o esperto e inteligente Conselheiro ou Burro Falante, o qual resgataram quando estiveram com o menino invisível Peninha no País das Fábulas. Além da nova versão do livro "O Saci", vieram muitas histórias vividas por estes personagens maravilhosos e únicos.

"Ainda acabo fazendo livros onde as nossas crianças possam morar.

Monteiro Lobato 

         Através dessa citação, Lobato, meio que teve uma previsão ou premonição do efeito que suas histórias causaram nas crianças e nos adultos também. Sua obra se eternizou, se tornou atemporal com o tamanho sucesso que seus livros fizeram, tanto que já renderam várias adaptações para o cinema e TV. Pelo cinema passaram as adaptações, primeiramente de "O Saci" em 1951 e em seguida em 1973/1974 veio ao cinema a adaptação do livro "O Picapau Amarelo". Na TV, a primeira adaptação veio 1 ano após o lançamento do filme "O Saci" no cinema, através da TV Tupi em 1952, adaptado por Tatiana Belink e Júlio Goveia, tendo um total de 360 episódios. Além da TV Tupi, o Sítio passou pela TV Cultura e pela TV Bandeirantes.




                    Em 1977, a Rede Globo de Televisão, trouxe a público sua adaptação, pensada e gravada um ano antes de sua estreia em 7 de Março de 1977. A produção a princípio foi pensada como uma novela, tanto que algumas histórias eram muito misturadas, para dar o ritmo de uma novela para crianças, porém a ideia não foi muito bem aceita pela público e a primeira história que muitos chamam de "O Picapau Amarelo", outros chamam de episódio "Piloto", teve 90 capítulos ao todo e para salvar a produção, o diretor Geraldo Casé e sua equipe decidiu dar títulos à continuação daquela história que foi pensada para ser uma novela e ao final dos 90 capítulos iniciais vieram "A Cuca Vai Pegar", "João Faz-de-Conta", "O Anjinho da Asa Quebrada", "Peninha, O Menino Invisível" e "O Terrível Pássaro Roca" e a partir dessa divisão, a primeira versão do Sítio do Picapau Amarelo na Rede Globo se tornou um fenômeno que se estendeu até 1986, com mudanças de Cuca, duplas de Pedrinho e Narizinho, Elias Turco e até de Emílias, mas mesmo com essas mudanças, o programa não deixou de ser um sucesso e é lembrado até hoje pelos fãs mais saudosistas.
                    
                        Anos depois, em 12 de Outubro de 2001, a Rede Globo de Televisão traz ao ar para a criançada daquele inicio dos anos 2000, uma nova adaptação das obras de Monteiro Lobato, também intitulada, assim como a versão dos anos 1970/1980 de "Sítio do Picapau Amarelo", com tudo renovado, novos atores, dessa vez Emília veio interpretada por uma criança, a atriz Isabelle Drummond, tal feito já havia acontecido em 1951 no filme "O Saci", onde a atriz Olga Maria interpretou a sapeca bonequinha de pano de Narizinho. Essa nova adaptação do Sítio na Globo, passou por inúmeras modificações tanto no elenco, quanto na casa que servia como locação para serem contadas as histórias de Lobato, durando de 2001 à 2007, totalizando 7 temporadas, sendo que as temporadas 2005 e 2006 foram em formato de novela que durou o ano inteiro, subtituladas de "O Preço do Verdadeiro Amor" (2005) e "Entre o Amor e a Promessa" (2006).


              Cinco anos após o fim da versão de 2001 - 2007, a Rede Globo de Televisão lança em 7 de janeiro de 2012 , o desenho animado do Sítio do Picapau Amarelo, também com histórias inspiradas nas obras de Monteiro Lobato, dessa vez as histórias duravam 12 minutos e tinham começo, meio e fim. Essa adaptação para o desenho animado durou 3 temporadas, totalizando 73 episódios, fazendo sucesso entre as crianças da época.

                E em 2024, o SBT também fará sua própria versão, intitulada "O Picapau Amarelo" para ser disponibilizada ainda nesse primeiro semestre na nova plataforma de streaming da emissora, o +SBT, ainda sem data de lançamento do streaming e sem data de estreia dessa nova adaptação que segundo o diretor da atração será algo como a Vila Sésamo. O "Picapau Amarelo" começou como parte do Câmeras Escondidas em 2021. 


                Além dessas, outras versões/adaptações da obra de Monteiro Lobato, foram produzidas e uma também para ser lançada. Uma foi produzida e lançada no YouTube, intitulada "A Turma do Sítio", produzida pela PRORec Entretenimento de Juazeiro do Norte e a outra está sendo produzida em Taubaté, terra de Monteiro Lobato, a versão de Taubaté chama-se "As Aventuras de Emília e Visconde no Sítio", esta ainda para ser exibida. A obra de Monteiro Lobato ainda rendeu várias adaptações para o teatro e muitos autores, agora que a obra de Lobato está em domínio público, estão readaptando a sua obra, mostrando e reafirmando que Lobato tornou-se atemporal.

















 



terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Nossa trilha sonora!

                


                O nosso post de hoje está muito MUSICAL! Isso mesmo. Vamos falar de música, que é algo que não poderia faltar em uma adaptação da obra de Monteiro Lobato, seja ela para cinema, TV, streaming, youtube, teatro, etc.

                As "AVENTURAS NO SÍTIO DO PICAPAU" já estão com a trilha sonora completa desde 2022, quando a composição e os arranjos das músicas foram todos finalizados. Falta agora concluir as gravações. Mas estamos muito perto disso!

                São DOZE canções inteiramente autorais, tendo letras e músicas compostas por Elisa Barreto e arranjos feitos por Elisa Barreto e Julinho Bittencourt. A trilha sonora, com o nome de ERA UMA VEZ NO SÍTIO DO PICAPAU (título da música de abertura) será disponibilizada em plataformas como Spotify, Amazon Music, Youtube, iTunes, Apple Music, Deezer, etc.

                Mas como queremos dividir com vocês os bastidores e o andamento de tudo que envolve este projeto ao qual estamos nos dedicando de corpo, alma e coração, aqui vai a lista das músicas, com um pequeno trecho da letra de cada uma delas, e acompanhadas de fotos em homenagem ao Sítio Clássico e ao elenco que tanto nos inspira ao escrevermos os roteiros das historinhas, e também na própria composição desta trilha sonora!


1 - ERA UMA VEZ NO SÍTIO DO PICAPAU


"Era uma vez, no Sítio do Picapau, o mundo da fantasia e o mundo real.
Era uma vez, no Sítio do Picapau, onde o pó da magia nunca te fez mal.
Era uma vez, no Sítio do Picapau, o mundo encantado de Lobato é sem igual.
Era uma vez, no Sítio do Picapau, muitas aventuras nesse sítio especial".


2 - VEM BRINCAR COM A NARIZINHO

"Muito prazer, sou a Narizinho e com muito carinho quero te abraçar.
Eu gosto de fazer amizade, então fique à vontade e vem comigo brincar".


3 - EMÍLIA, A MARQUESA MARRENTA


"Boneca gente, que engoliu a pílula falante,
E assim de repente, ficou marrenta, asneirenta e matracante".


4 - SERÕES E CUIDADOS DE DONTA BENTA



"Dona Benta, dona Benta, uma noite de serão sempre acrescenta.
Dona Benta, dona Benta, seu amor cuidadoso nunca se ausenta."


5 - A TIA NASTÁCIA É DEMAIS!



"Quem entra nessa roda não sai, pois a tia Nastácia é demais!
(...) Vivo feliz no Sìtio com a sinhá dona Benta, os 'boneco' e as 'criança'. 
Aqui o impossível acontece e tudo é motivo pra festança".


6 -  MEU SÁBIO VISCONDE



"Meu sábio Visconde, sai do livro e me responde:
Qual é o planeta com mais luas deste sistema solar?
A resposta certa é Saturno, cuidado pra não errar!"



7 - PEDRINHO, O MENINO HERÓI




"Não tenho medo de onça, não tenho medo de Cuca.
Só tenho medo de vespa e não se atreva a zombar de mim.
Sou Pedrinho Encerrabodes, sou o menino herói.
Enfrento qualquer bandido, pirata, lobisomem, bruxo ou caubói."



8 - TIO BARNABÉ, PRETO-VELHO AMIGO



"Lá de longe ele vem, caminhando devagar, mas sabe onde quer chegar.
Tio Barnabé, preto-velho amigo, quero aprender contigo."



9 - SALVE O MARQUÊS DE RABICÓ



"Salve o Marquês de Rabicó, salve o Marquês de Rabicó.
Ele corre da tia Nastácia e das suas vassouradas.
Ele não quer virar torresmo, nem pururuca ou feijoada."



10 - COM A CUCA NINGUÉM BOLE



"Cançãozinha de ninar? Acham que eu tô de brincadeira?
Sou malvada e não dou nem moleza e nem bobeira".


11 - É O SACI PERERÊ!



"É o Saci Pererê, é melhor se benzer, ele vai aparecer pra você.
É o Saci Pererê, não dá tempo de correr. Dele você nunca vai se esquecer!"


12 - O PÓ DE PIRLIMPIMPIM



"Vamos para a Grécia? Então pega o pó de Pirlimpimpim, de Pirlimpimpim.
Vamos para Roma? Então pega o pó de Pirlimpimpim, de Pirlimpimpim."


                Bom, por hoje é só uma "palhinha", mas esperamos que tenham gostado. Tudo está sendo feito com muito amor e dedicação. 

                Aguardem mais novidades em breve!


*Essas canções, além da adaptação para Youtube realizada em Fortaleza-CE (com direção geral de Miguel Rodrigues e roteiros de Miguel Rodrigues e Elisa Barreto), serão utilizadas em um musical escrito e dirigido por Miguel Rodrigues no Ceará e outro escrito e dirigido por Elisa Barreto no Rio de Janeiro. 

*Todos os direitos autorais reservados a Ana Elisa Lima Barreto (Elisa Barreto).

*Plágio é crime!

sábado, 6 de janeiro de 2024

Os Primeiros Figurinos Pensados

 


            Quando o projeto "Aventuras no Sítio do Picapau" ainda era apenas um embrião, quando Miguel Rodrigues e Elisa Barreto ainda estavam nos planejamentos para esse projeto que agora está ganhando forma, foram pensados em várias possibilidades de figurinos para os bonecos Emília e Visconde de Sabugosa. Queríamos algo que homenageasse a primeira versão do "Sítio do Picapau Amarelo" da TV Globo (1977 - 1986), mas que também não ficasse uma cópia dessa versão, queríamos apenas uma base, uma referência, até que chegamos a esse resultado que poderá sofrer algumas alterações quando forem confeccionados os figurinos para os atores que irão interpretar os respectivos personagens.


        Para a boneca Emília usamos referências da adaptação da versão de 1977-1986 e mesclamos com a descrição que está no livro "Reinações de Narizinho", é mais uma visão do idealizador do projeto Miguel Rodrigues sobre a personagem. Já para o Visconde de Sabugosa, também tem referências com a versão de 1977-1986, com a ilustração desenhada por Manoel Victor Filho para os livros lançados pela Editora Brasiliense. Pensados e desenhados, Miguel mandou confeccionar os bonecos que aparecerão em cena antes destes personagens ganharem vida.

         O responsável pela confecção dos bonecos, é Renato Bastos, especialista em Emílias de todos os modelos e também especialista em outros tipos de bonecas de pano. Vale a pena conferir o trabalho desse excelente artista (@renatobastoscosta) no Instagram.

        Para todos terem uma ideia, o nosso projeto vem ganhando rumo e forma desde quando era apenas um "embrião" e estamos tendo a maior paciência e cuidado para que o nosso projeto tenha um excelente resultado, e pelo rumo que as coisas estão tomando, o projeto "Aventuras no Sítio do Picapau" já é um sucesso antes mesmo de começarmos as gravações e colocarmos no ar. 



Vaquinha Solidária Para Ajudar Nosso Projeto

            Amigos, fãs do Sítio do Picapau Amarelo clássico (1977 a 1986), das outras versões e de Monteiro Lobato.           Não pensamos ...